O Vasco da Gama deu mais um passo concreto no processo de reestruturação do seu futebol. O Club de Regatas Vasco da Gama e a Vasco SAF protocolaram na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro um pedido de autorização para iniciar o processo competitivo de venda de 90% das ações de uma nova SAF — a sociedade que concentrará todos os ativos do futebol do clube. A informação foi divulgada com exclusividade pelo jornalista Gustavo Cunha (@gustavotutinha).
Como funcionará a criação da nova SAF do Vasco
A operação, na prática, envolve três etapas principais. Primeiro, a criação de uma nova SAF. Depois, a transferência dos ativos esportivos da atual Vasco SAF para essa nova empresa. Por fim, a venda de 90% do capital dessa nova sociedade para um investidor. O processo será competitivo, o que significa que diferentes interessados poderão apresentar propostas.
Vale destacar um ponto fundamental: a SAF ainda não foi vendida. O pedido apresentado à Justiça busca apenas a autorização para dar início ao processo. A concretização da venda dependerá da escolha da proposta vencedora, da homologação judicial e do cumprimento das condições estabelecidas no Acordo de Investimentos.
Os valores previstos na venda de 90% da nova SAF do Vasco
A proposta de referência traz obrigações financeiras detalhadas para o futuro investidor. O aporte obrigatório mínimo é de R$ 500 milhões, distribuídos em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, entre 2026 e 2030, corrigidas pelo INPC. Além disso, o comprador deverá:
Investir R$ 120 milhões no Centro de Treinamento do futebol profissional;
Aplicar R$ 30 milhões na infraestrutura das categorias de base;
Prestar auxílio financeiro para o cumprimento das obrigações da Recuperação Judicial do clube.
Somando apenas os investimentos diretos previstos no edital, a operação alcança pelo menos R$ 650 milhões — um volume expressivo que indica a dimensão do projeto para o futebol vascaíno.
Quem é a Almirante Participações e qual seu papel no processo
A Almirante Participações e Empreendimentos S.A. foi indicada como Stalking Horse Bidder, termo jurídico que define a investidora responsável por apresentar a proposta-base da operação. Essa posição, porém, não garante automaticamente a aquisição da nova SAF do Vasco.
Outros interessados poderão entrar no processo e apresentar ofertas. Caso alguma proposta supere a da Almirante, a empresa terá o direito de igualar a melhor oferta válida, de acordo com as regras previstas no edital. Trata-se de um mecanismo comum nesse tipo de operação competitiva.
O financiamento DIP e suas condições
O documento protocolado na Justiça também aborda o chamado financiamento DIP — um empréstimo concedido a empresas em processo de recuperação judicial. Caso a Almirante seja a investidora vencedora, o crédito desse empréstimo, originalmente estimado em aproximadamente R$ 82,8 milhões, será convertido em capital da nova SAF. Se outro investidor vencer o processo, esse crédito deverá ser quitado integralmente como condição para o fechamento da operação.
Por que o Vasco pede urgência na autorização judicial
Na petição, o Vasco e a Vasco SAF justificam o pedido de urgência com argumentos financeiros e esportivos. O clube afirma enfrentar restrições de liquidez e sustenta que a entrada rápida dos recursos é essencial para:
Cumprir o Plano de Recuperação Judicial;
Honrar os compromissos com os credores;
Reforçar o elenco na atual janela de transferências;
Reduzir os riscos esportivos e financeiros de um eventual rebaixamento.
O argumento do rebaixamento tem peso real. Uma queda para a Série B representaria perda significativa de receitas, o que comprometeria ainda mais a capacidade do clube de cumprir suas obrigações no âmbito da recuperação judicial.
O que esperar dos próximos passos
Agora, o pedido aguarda análise da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Se o juiz responsável conceder a autorização, o processo competitivo poderá ser iniciado formalmente, com a abertura do prazo para que novos investidores apresentem propostas além da já formalizada pela Almirante Participações.
A definição do vencedor, a homologação judicial e o cumprimento das condições do Acordo de Investimentos ainda levarão tempo. Mas o protocolo dessa petição marca um momento relevante na tentativa do Vasco de reorganizar suas finanças e garantir a sustentabilidade do projeto esportivo nos próximos anos.
Fonte: X do jornalista Gustavo Cunha