O Vasco tem acordos verbais acertados com o treinador Franclim Carvalho, do Botafogo, e com o volante Nelson Deossa, do Real Betis, da Espanha. Apesar do avanço nas negociações, a situação jurídica da SAF do clube carioca está travando a conclusão das duas contratações, consideradas prioridades pelo departamento de futebol.
A origem do problema: intervenção judicial na SAF do Vasco
Desde que Pedrinho foi afastado do quadro da SAF pela Justiça, quem comanda o futebol do Vasco é a interventora Samantha Longo. O diretor de futebol Admar Lopes chegou a acordos separados com Franclim Carvalho e com o Real Betis sobre Deossa, e apresentou ambas as situações à advogada. Samantha autorizou os movimentos feitos por Admar. Ainda assim, tanto o treinador quanto o clube espanhol se mostram inseguros para formalizar qualquer vínculo enquanto o Vasco estiver sendo administrado por uma interventora judicial.
A incerteza sobre quem de fato detém o poder de decisão dentro do clube é o principal obstáculo. Sem clareza sobre a estrutura de comando, parceiros externos hesitam em assinar contratos que dependem de continuidade institucional e cumprimento de obrigações financeiras.
Franclim Carvalho: gosta do projeto, mas quer saber quem manda
Franclim Carvalho deixou claro ao Vasco que se lembra da situação de Álvaro Pacheco, que chegou ao clube carioca em maio de 2024, em meio a um momento de indefinição jurídica semelhante, quando Pedrinho havia acabado de assumir o controle da SAF após o afastamento da 777. O treinador quer evitar repetir um cenário parecido.
Apesar das reservas, Franclim não fechou as portas para o negócio. Ele gostou do projeto apresentado por Admar Lopes e da valorização salarial que o Vasco colocou na mesa. Além da proximidade com o diretor de futebol, o treinador do Botafogo também tem boa relação com Pedrinho. O ponto central de sua resistência é a falta de definição sobre a gestão do clube: ele disse que só pretende finalizar o negócio caso saiba quem "manda" no Vasco.
Do ponto de vista financeiro, o Vasco não vê problema em arcar com a multa rescisória de 300 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão) para liberar Franclim do Botafogo. O obstáculo, portanto, não é financeiro — é jurídico e institucional.
Real Betis e Deossa: acerto existe, mas espanhóis pedem garantias
Com o Real Betis, a situação é ainda mais delicada. O Vasco já tem um acerto não apenas com o próprio Deossa, mas também com o clube espanhol. O jogador quer atuar pelo Vasco e o Betis aceitou a sinalização financeira apresentada pelo clube carioca. Mesmo assim, os espanhóis não têm confiança sobre a questão jurídica envolvendo a SAF e pedem garantias que simplesmente não podem ser apresentadas neste momento.
A preocupação do Betis é compreensível: envolver um ativo do clube em uma negociação com uma instituição administrada por interventora judicial representa um risco que qualquer clube europeu evitaria sem respostas concretas sobre o futuro daquela gestão.
O que o Vasco pode fazer agora
Diante desse cenário, o departamento de futebol vascaíno se vê com as mãos atadas para resolver as demandas urgentes do elenco. As prioridades do clube neste momento são exatamente as duas negociações travadas:
A contratação de um treinador — alvo principal: Franclim Carvalho;
A contratação de um volante — alvo principal: Nelson Deossa, do Real Betis.
Pessoas próximas a Pedrinho confiam na reversão da situação jurídica, mas essa expectativa não pode ser apresentada como garantia formal a Franclim Carvalho nem ao Real Betis. Confiança pessoal não substitui segurança jurídica em negociações dessa natureza.
Vasco aguarda decisão da Justiça
A estratégia do clube carioca é aguardar uma definição na Justiça para, então, concretizar as negociações. Ao mesmo tempo, o departamento de futebol tenta convencer tanto o Betis quanto Franclim a avançarem independentemente do desfecho jurídico — um caminho mais difícil, mas que o clube mantém em aberto.
Enquanto a resolução não vem, o Vasco segue sem técnico definido e sem o reforço no meio-campo que o elenco precisa. A instabilidade na gestão da SAF, portanto, passa a ter um impacto direto e concreto no planejamento esportivo do clube.
Fonte: ge