Centenas de torcedores do Vasco realizaram uma manifestação na manhã deste domingo em frente à fachada principal de São Januário para cobrar a conclusão da venda da SAF do clube para Marcos Lamacchia. O ato foi convocado pelas principais torcidas organizadas e reuniu um número expressivo de vascaínos dispostos a pressionar por uma definição no processo de transferência do futebol do clube.

O clima do protesto em São Januário
Durante a manifestação, os torcedores estenderam uma faixa em frente ao portão principal da entrada social e entoaram gritos de apoio ao presidente Pedrinho. O tom também foi de reprovação em relação a ex-dirigentes que foram exonerados de seus cargos na última semana. Felipe Carregal, ex-vice jurídico, e Paulo Salomão, ex-vice-presidente geral do clube, foram alvos diretos dos xingamentos da torcida presente.
A escolha do local não foi por acaso. São Januário é o símbolo maior do clube e concentrar o protesto em sua fachada principal reforçou o recado que os torcedores queriam deixar claro: a base vascaína quer ver a venda da SAF concluída.
O contexto da venda da SAF do Vasco
O processo de transferência de 90% dos ativos do futebol do Vasco para Marcos Lamacchia vive um momento delicado. Na noite da última terça-feira, a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro afastou Pedrinho do comando da SAF e nomeou a advogada Samantha Mendes Longo como interventora pelos próximos 60 dias. A decisão judicial acirrou ainda mais a tensão ao redor do clube.
Apesar do cenário jurídico, Pedrinho garantiu publicamente que Marcos Lamacchia mantém confiança na conclusão do negócio. José Roberto Lamacchia, pai de Marcos e dono da Crefisa, reforçou essa posição em entrevista ao ge, afirmando que o acordo para assumir o futebol vascaíno "está assinado e valendo".
O que diz o ge sobre o acordo
Apesar das declarações otimistas da família Lamacchia, a apuração do ge revelou um quadro mais complexo. Segundo o veículo, ainda não existe um acerto formal entre as partes. O que está em vigor é um memorando de entendimento, o chamado MOU (Memorandum of Understanding). Ainda há discussões em curso sobre como seria feito o reinvestimento no futebol a partir do dinheiro gerado com a venda de atletas.
Ou seja, embora a intenção de ambos os lados esteja sinalizada, os detalhes finais do contrato ainda precisam ser acertados antes de qualquer celebração.
Resistência interna e ex-dirigentes no centro da polêmica
José Roberto Lamacchia, em entrevista ao ge, foi além ao falar sobre os bastidores da negociação. O empresário de 83 anos afirmou que o processo da venda da SAF estaria sofrendo resistência de membros da própria direção do clube. Ele nomeou dois nomes como parte dessa resistência:
Felipe Carregal — ex-vice jurídico, exonerado na semana passada;
Paulo Salomão — ex-vice-presidente geral do clube.
Os dois foram justamente os alvos dos xingamentos durante o protesto em São Januário neste domingo, o que mostra que as declarações de Lamacchia repercutiram diretamente no humor da torcida.
A torcida do Vasco na linha de frente
A manifestação deste domingo demonstra que a torcida do Vasco acompanha de perto cada passo desse processo. As principais torcidas organizadas do clube lideraram a convocação, o que deu ao ato uma dimensão representativa significativa. A presença em massa diante de São Januário foi uma forma de pressão simbólica e concreta.
Os torcedores que estiveram presentes deixaram claro que apoiam tanto Pedrinho quanto a chegada de Marcos Lamacchia ao comando do futebol do clube. A expectativa da torcida é que as pendências jurídicas e contratuais sejam resolvidas o quanto antes para que o Vasco tenha uma gestão definida e estável à frente da SAF.
O que o Vasco precisa agora
Para que a venda da SAF avance de fato, será necessário:
Resolver as discussões finais sobre reinvestimento na equipe;
Converter o MOU em um contrato formal entre as partes;
Lidar com o período de intervenção judicial de 60 dias sob o comando da advogada Samantha Mendes Longo;
Garantir que eventuais resistências internas não travem o processo.
Enquanto essas etapas não forem vencidas, a pressão da torcida — como a vista neste domingo em São Januário — tende a continuar. A venda da SAF do Vasco segue sendo o tema central do clube, e os vascaínos deixaram claro que não estão dispostos a aguardar em silêncio.
Fonte: GE (ge.globo.com)