Um total de 106 conselheiros do Club de Regatas Vasco da Gama assinou uma carta pública se posicionando a favor da venda da SAF do Vasco ao grupo liderado pelo empresário Marcos Faria Lamacchia. O documento, divulgado com exclusividade pelo perfil Colina 1927 com apuração de Cauê Rodrigues, apoia o presidente Pedrinho na condução das negociações e pede que o processo avance com transparência e dentro das normas estatutárias.
A carta de apoio à venda da Vasco SAF
O documento assinado pelos conselheiros parte de um diagnóstico claro sobre o momento do clube: anos de deterioração financeira, perda de competitividade esportiva e sucessivas crises administrativas. Diante desse cenário, os signatários entendem que a negociação com o grupo de Lamacchia representa uma oportunidade concreta de reconstrução.
Veja o trecho de abertura da carta:
"Nós, Conselheiros do Club de Regatas Vasco da Gama, abaixo assinados, dirigimo-nos à comunidade vascaína para manifestar nosso posicionamento diante do atual momento institucional vivido pelo Club."
O texto segue reconhecendo o presidente Pedrinho como legítimo condutor do processo:
"Manifestamos nosso apoio ao Presidente Pedrinho, reconhecendo sua legitimidade, dedicação e compromisso com a defesa dos interesses do Club de Regatas Vasco da Gama na condução desse complexo processo de negociação."
Por que os conselheiros apoiam a venda da SAF do Vasco
A carta detalha os motivos que levaram os 106 conselheiros a assinarem o documento. Entre os pontos centrais, estão a capacidade financeira do grupo investidor e a possibilidade de resolver de forma definitiva o grave passivo do clube. Segundo o texto:
"Entendemos que a entrada de um investidor sólido, com capacidade financeira comprovada, visão de longo prazo e compromisso com a recuperação do Club representa, hoje, o caminho mais seguro para devolver ao Vasco a estabilidade econômica e o protagonismo esportivo compatíveis com sua grandeza."
Os conselheiros também destacam o que a proposta em discussão pode representar na prática:
Enfrentamento definitivo do passivo financeiro do clube;
Cumprimento do Plano de Recuperação Judicial;
Novos investimentos em infraestrutura;
Criação de condições para um projeto esportivo sustentável e competitivo.
O papel do Memorando de Entendimento
A carta também esclarece que a assinatura do Memorando de Entendimento é apenas uma etapa do processo, e não uma conclusão. O documento ainda passará por análises jurídicas, financeiras e institucionais antes de ir a votação em Assembleia Geral Extraordinária dos associados. O texto é direto sobre esse ponto:
"A assinatura do Memorando de Entendimento constitui apenas uma etapa desse processo. A negociação ainda será submetida às análises jurídicas, financeiras e institucionais necessárias, culminando na deliberação soberana dos associados em Assembleia Geral Extraordinária. Portanto, não há qualquer justificativa para que divergências políticas internas impeçam ou retardem o avanço das negociações antes mesmo que todos os instrumentos sejam devidamente apresentados e debatidos."
Transparência, legalidade e apelo à união vascaína
Mesmo com o apoio à venda da SAF do Vasco, os conselheiros deixam claro que a negociação deve respeitar princípios inegociáveis. O documento cita explicitamente a necessidade de observar legalidade, transparência, governança corporativa e proteção ao patrimônio do clube.
Sobre eventuais denúncias ou questionamentos, a carta afirma:
"Eventuais denúncias ou questionamentos devem ser apurados com absoluto rigor pelos órgãos competentes, assegurando-se o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência."
O texto também faz um chamado à responsabilidade de toda a comunidade vascaína, pedindo que disputas internas não coloquem em risco o que os signatários chamam de "oportunidade histórica":
"O momento exige responsabilidade institucional. O Vasco não pode permanecer refém de disputas políticas, interesses particulares ou conflitos internos que coloquem em risco uma oportunidade histórica de reerguimento."
O encerramento da carta
O documento é encerrado com um apelo direto a conselheiros, dirigentes, beneméritos, associados e demais agentes políticos do clube. A mensagem é de união em torno do interesse coletivo:
"Conclamamos todos os Conselheiros, dirigentes, beneméritos, associados e demais agentes políticos do Club a colocarem o Vasco acima de qualquer projeto pessoal ou divergência circunstancial, permitindo que o processo transcorra com serenidade, transparência, respeito às normas estatutárias e absoluto compromisso com o melhor interesse da instituição."
E encerra com uma declaração de confiança no futuro:
"O Club de Regatas Vasco da Gama pertence à sua história, aos seus milhões de torcedores e às futuras gerações de vascaínos. É nossa responsabilidade preservar esse patrimônio e criar as condições necessárias para que o Club volte a ocupar o lugar que sua tradição exige. [...] Que prevaleça o interesse do Vasco. Sempre. Pelo Club de Regatas Vasco da Gama."
A movimentação dos 106 conselheiros a favor da venda da SAF do Vasco reforça o peso político que o processo ganhou dentro das instâncias do clube. A decisão final, como prevê o próprio documento, caberá aos associados em Assembleia Geral Extraordinária.
Fonte: Colina 1927 (@Colina_1927) | Apuração: @caueg_rodrigues
Fonte: X Colina 1927